Os Cem Melhores Livros para uma Educação

Will Durant


Se eu fosse um homem de dinheiro havia de ter muitos livros e regalar-me com encadernações macias ao tato e agradáveis à vista, obras impressas em bons papéis opacos, naqueles caracteres dos primitivos impressores. Vestiria meus ... [livros] de couro e ouro... Havia de ter minha biblioteca bem espaçosa, bem sombria e fresa, liberta da curiosidade alheia e do barulho, com voluptuosas poltronas das que convidam ao sonho, com lâmpadas de luz discreta aqui e ali — lâmpadas de santuários; e cada palmo das paredes seria recoberto com camadas da herança mental da nossa raça. E lá, a qualquer momento, minha mão e meu espírito dar-se-iam aos amigos de alma faminta e mãos limpas.

  No centro de tal santuário de livros eu reuniria os Cem Melhores de toda a literatura educativa do mundo. Figuro a mim mesmo uma pesada mesa de cedro, entalhada pelos mestres que enriqueceram a abadia de Westminster. No meio da mesa eu ergueria uma estante com os meus Cem Melhores. E vejo meus amigos confortavelmente sentados ali por algumas horas todas as semanas, manuseando com volúpia aquelas obras.

  Queria também ... sentar-vos a essa mesa? Talvez sejais um diplomado, e em condições, portanto, de dar início à vossa educação. Talvez nunca tenhais tido ensejo de cursar uma universidade e tereis perguntado o que os nossos filhos lá aprendem, além da moral do dia. Muita coisa bela podem aprender, se as cursam depois de certa idade; mas nesta era de complexidades, nossos rebentos demoram tanto a crescer, que estão sempre muito verdes quando fazem o curso — muito verdes para absorverem e compreenderem os tesouros que lhes são oferecidos. Se fizestes o vosso curso na vida e não nos colégios, muito bem; a rude tutela da realidade amadureceu-vos para a pronta compreensão dos grandes homens. Aqui em redor da espaçosa mesa podereis preparar-vos para a Internacional do Espírito; tereis amigos como Platão e Leonardo, Bacon e Montaigne, e em conseqüência desta boa companhia ficareis preparados para acompanhar os mais finos líderes do vosso tempo e vossa terra.

  Podereis dispor de uma hora por dia? Dai-me sete horas de cada uma de vossas semanas e eu farei de vós um filósofo ou um erudito: em quatro anos estareis tão bem educado como qualquer Doutor em filosofia deste País.

  Temos preliminarmente que nos entender: não podeis esperar nenhum lucro monetário desta intimidade com os grandes homens. O lucro poderá vir mais tarde, acidentalmente, em conseqüência da maturidade e fundo que alcançareis; mas estes dividendos, como o das companhias de seguros, são garantidos. Na realidade estareis «perdendo o tempo» da vossa profissão ou do vosso negócio; se sonhais com milhões, afastai-vos deste mapa da Cidade de Deus e fincai o vosso nariz na terra. E encontrareis embaraços pelo caminho: um livro obscuro ou com excesso de páginas, e todas as vossas forças terão que ser mobilizadas para vencer a tarefa. Lembrai-vos de que não estou compondo uma lista dos absolutamente melhores cem livros, ou mera lista de obras-primas nas belas letras; nossa escolha se fez com base na força educativa das obras.

  Desde que o meu intento foi conseguir cérebros bem ordenados e evitar o caos das leituras, temos de começar do começo — com as distantes estrelas e a antiga terra; e estes começos serão o mais penoso da tarefa proposta. Initium dimidium facit, disseram os romanos; o início é metade da façanha. Apertemos o nosso cinto e apuremos a nossa coragem para a subida destes morros do começo — o resto da viagem será por caminhos planos, com boas inquisições de sabedoria a cada marco da quilometragem e agradáveis visões de beleza a todo instante. Nossa mira aqui não é apenas entretenimento, sim educação; mas educação com tal ordem que cada novo conhecimento adquirido se entrose logicamente em nossa memória e nos dê no fim aquela amplitude de perspectivas que é a fonte e o vértice da compreensão.

  Por esse motivo as primeiras obras da nossa escolha — a introdução para o resto têm que ser as mais aterrorizantes de todas. Começaremos com The Outline of Science; ai de nós! Teremos de nos nutrir com alimentos pré-digeridos, à moda dum almoço americano? E o pior é que The Outline of History, esse fantasma dos historiadores que se prezam, está em quinto lugar na nossa lista, coisa imperdoável. O crítico mostrará o quanto esses livros valerão como substitutos do melhor e o quanto valerão como preparo para o melhor. À custa dum pouco de esforço desagradável temos de nos familiarizar com a descrição científica do mundo em que o homem desenvolveu; temos de adquirir uma pequena base astronômica e biológica para corretivo do nosso orgulho de homens; temos de conhecer as últimas hipóteses sobre elétrons e cromossomos, e olharmos para a frente enquanto a física e a química transformam o mundo.

  E então passaremos para nós mesmos, embora ainda introdutoriamente. Estudaremos a arte da saúde; porque, de que valerá se no fim dos quatro anos estivermos eruditos mas dispépticos, filósofos na imaginação mas arruinados no corpo? Deixemos que dois grandes médicos nos apresentem as teorias riveis do como viver: o Dr. Clendoning nos dirá, com agudeza escandalosa num cientista, que muitas das coisas que comemos, bebemos ou fazemos são boas, e com muito encanto o Dr. Kellog nos provará que são más. Eu creio que usualmente o Dr. Kellog está certo, mas é admissível que usualmente eu e ele estejamos errados.

  As criaturas humanas possuem corpo e espírito; por isso convém que procurem de algum modo compreender-se antes de entregar-se ao estudo da história da espécie. Encaminhemo-nos, pois, para William James; é verdade que ele escreveu há já mais de uma geração, mas os seus Princípios de Psicologia continuam sendo a obra-prima nesta ordem de estudos. Temos de evitar a edição abreviada em um volume; a anterior, mais ampla, é de mais fácil compreensão. Enquanto estiverdes mergulhados em James, convém não vos preocupardes com passageiras modas psicológicas, tais como psicanálise e behaviorismo; depois de bem captado o pensamento de James, estareis imunes a essas epidemias. Lede ativamente, não passivamente: meditai a cada passo sobre o acordo entre o que diz James e o que diz a vossa experiência pessoal — e meditai também sobre a aplicação desses conhecimentos à conduta de vossa vida. Se discordais do autor, ou vos sentis chocados pelas suas heresias, lede-o do mesmo modo; a tolerância para com as opiniões diferentes é o distintivo de um gentleman. Anotai todas as passagens que possam servir de fundamento à reconstrução do vosso caráter (não do caráter humano em geral) ou para auxiliar-vos na consecução dos vossos fins; e classificai essas notas de modo que possam ser consultadas a qualquer momento.

  Não tenhais pressa em sair desses livros introdutórios, porque sereis forçados a um longo assédio antes que possais tomar as trincheiras exteriores da cidadela da sabedoria. Se eles vos sobrecarregam a digestão, temperai-os com os acepipes mais agradáveis da lista: Plutarco, por exemplo, ou Omar, ou George Moore, ou Rabelais, ou Poe; na realidade muitos dos livros dos Grupos X e XI servirão de hors d’oeuvres, ou de alívio, quando os demais vos oprimem com seu excessivo peso.

  O próprio Wells vos parecerá esmagador no começo; cansam-nos os seus répteis e peixes, os seus homens de Cro-Magnon e de Neandertal. Mas temos de galgar essas grimpas geológicas, e vadear esses pântanos de reminiscências antropológicas; iremos aguçando os nossos dentes nessas palavras proibidas e vencendo as dificuldades passo a passo; isso nos enrijecerá para o resto. E se somos tão abastados quanto corajosos, poderemos adquirir um dicionário maneiro, como o Webster (Colegiate), evitando os grandes, cuja massa imensa nos desanima; e também enfeitaremos  parede com algum alentado mapa-mundi, de modo que as novas palavras e os velhos lugares adquiram significação. Depois de findas as lições de Wells, o Folk Ways de Sumner vos valerá por apetitosa sobremesa;ninguém jamais sonhou que esse homem pudesse tornar a sociologia tão fascinante!

  Quereis saber como a religião começou, e como da superstição nasceu a filosofia? Lede o Golden Bough, de Frazer; neste livro o grande sábio reúne em um tomo as investigações de sua vida inteira — façanha pela qual o governo britânico o condecorou. Pulai pelo livro, se quiserdes; aprendei a arte de extrair de cada parágrafo a sentença tópica em que o autor formula a proposição que o resto do parágrafo trata de provar; e se a tese escapa ao vosso interesse, pulai para o tópico seguinte, ou para outro e outro, até que a matéria vos empolgue. Terminado o estudo deste livro, a parte mais dura da vossa educação estará concluída; o resto não passa de uma aventura...  

Por que motivo a nossa lista se dispõe, daí por diante, em ordem histórica? Primeiro, porque o sábio é estudar a história como foi vivida, com a fusão de todas as atividades humanas — econômicas, sociais, políticas, científicas, filosóficas, religiosas, literárias e artísticas; assim fazendo, iremos ver cada obra literária, filosófica ou artística em seu justo lugar, e melhor lhes compreendermos a origem e significação; não esquecer que a perspectiva é tudo. Segundo, porque esta disposição alterará as mais deleitosas obras-primas com os tomos mais pesadamente instrutivos; uma coisa ajudará a digestão de outra. Assim, depois de mais algum Wells e do perfeito capítulo de Breasted sobre o Egito, na excelente história da Europa denominada A Aventura Humana, encontraremos bem merecida diversão na coletânea de Brian Brown sobre a sabedoria de Confúcio, Lat-Tse e Mêncio; e a inigualável simplicidade e beleza da Bíblia suavizarão a suculenta História da Ciência do Dr. Williams e os ditirambos de Faure sobre a arte. E através destes mares bravios alcançaremos as ilhas da Grécia.

  Eis-nos em plena região dos gênios; como meter tantos gigantes em nossa pequenina lista? Recorramos aos guias: Breasted e Wells nos mostrarão os maiores monumentos, o professor Bury nos ensinará as complixidades da política helênica, e Gilbert Murray nos introduzirá nos domínios da maior literatura do mundo. E depois virão os nossos contatos com os próprios gênios: Heródoto, o homem das deleitosas narrativas, nem sempre verdadeiras; Tucídides, o pensador realista de estilo clássico (não esquecer a famosa Oração Funeral em honra de a Péricles); e Plutarco, o das biografias que Bury reaviva; e Homero, com o seu cantante carrilhão de heróis e deuses; e Ésquilo, com a sua vigorosa pintura de Prometeu encadeado mas sempre rebelde, símbolo do gênio punido pelo bem que faz; e Sófocles, com sua doce sabedoria ganha através do sofrimento; e Eurípides, o humano, a lamentar o infortúnio dos próprios inimigos e por fim perdoando até aos deuses.

  E agora, o primeiro grande período da filosofia européia: Diógenes Laércio conta-nos a história de Sócrates, o mártir; de Platão, o reformador; de Demócrito, o filósofo que ria; de Aristóteles, o enciclopédico; de Zeno, o estóico; e de Epicuro, o que não foi epicurista. Platão fala e pinta a sua idéia do Estado perfeito; o eternamente razoável Aristóteles prega a áurea mediocridade — e casa-se com a mais rica herdeira da Grécia. William toma esse material e ensina-nos como a ciência ocupou o lugar da superstição; como Hipócrates se tornou, depois de tantos séculos de médicos, o Pai da Medicina; e como Arquimedes resolvia teoremas quando um soldado, simbolizando a eterna oposição entre a arte e a guerra, o apunhalou mortalmente. Finalmente, Faure nos mostrará Fídias, com a paciência que é gênio, esculpindo sublimes mármores do Partenon, e Praxíteles cinzelando a graça perfeita de Afrodite. Quando veremos no mundo outra idade como essa?

  Para compreendermos esses gregos cumpre-nos adquirir uma educação especial; um grande educador americano está fazendo a experiência dum curso de dois anos a um cento de felizes estudantes, sobre a civilização grega sob todos os seus aspectos. Já os romanos não nos oferecem tanta coisa; porque embora lançassem dum modo admirável os fundamentos da ordem social e da continuidade política para todas as nações da Europa, imiscuíram-se em excesso na fatura de leis, e em guerras, e na construção de estradas e esgotos, e na defesa contra os bárbaros, para se permitirem a cultura das flores da filosofia e da arte. Mesmo assim encontraremos deuses em Roma: o maior estadista que jamais existiu, apresentado pela arte e por Plutarco; o sombrio Lucrécio a expor em viril poesia a inapreensível natureza das coisas; a delicada felicidade de Virgílio a tecer em trama de ouro o passado lendário dos romanos; e por fim o último grande homem, Marco Aurélio, a meditar, de cima do trono, sobre a vaidade da ambição e do poder.

  Que tremenda e trágica história! O colosso derramou pelo mundo a sua majestade e por fim, pela corrupção e escravidão, apodreceu lentamente até que os bárbaros de fora e os cultos orientais de dentro o ruíssem em escombros. Foi neste ponto que o maior dos historiadores, Edward Gibbon, começou a sua imponente narrativa do Declínio e Queda do Império Romano — compondo com poderosa voz de órgão catedralesco a marcha fúnebre da desolação. Percorramos sem pressa esse desfile de páginas majestosas; a vida não é coisa tão importante que não possamos consagrar um pedaço da nossa à leitura do homem que soube conciliar a sabedoria dos comentários com a musicalidade da forma.

  Tão generoso se mostra Gibbon que não se restringe a historia apenas a moribunda Europa, mas também nos revela a infância da Europa nórdica, que conhecemos como Idade Média. Vemos o surto do Papado para a realização do maior sonho do catecismo ocidental — a unificação da Europa; e aqui, a conversão de Constantino e a coroação de Carlos Magno; e ali, a sangrenta história de como Maomé e seus generais, chefiando exércitos famintos de pilhagem e bêbados de teologia, derramaram-se sobre a África e a Espanha, construíram a civilização de Bagdad e Córdova e por fim recuaram para o deserto, quando os turcos, ainda mais bárbaros que eles, rolaram do Cáucaso sobre o Ocidente em desordem. Maimônides e Omar nos atestarão como os judeus e persas prosperaram sob o domínio dos Islã. Em Williams encontraremos um belo relato das realizações islâmicas na matemática e na medicina, na astronomia e no setor filosófico; e Faure nos mostrará a sua delicada arquitetura no Alhambra, em Granada e no Taj Mahal, na Índia.

  Mas havia nesse tempo, também. Um pugilo de cristãos. Robinson nos descreve a sua civilização em A Aventura Humana dum modo tão sugestivo que não podemos afastá-lo da nossa lista. Dante e Chaucer corporificam a época: os peregrinos de Canterbury, empenhados numa viagem, divertem-se contando histórias cruas com as de Rabelais; e Dante, embora em luta contra a Igreja, ergue a teologia cristã a um esplendor que por um momento nos faz esquecer o barbarismo que criou o inferno. Abelardo duvidou dessa teologia, mas repentinemente perdeu a virilidade necessária para firmá-lo naquela atitude; nada mais doloroso e humano que o seu abandono de Heloísa e da dúvida. Se quereis verificar a que grau de perfeição pôde a prosa inglesa atingir, lede George Moore na sua narração do imortal amor de Heloísa e Abelardo. No Monte de S. Miguel e Chartres, Henry Adams também nos conta esta mesma história, e expõe a enciclopédica ortodoxia de Tomás de Aquino, como incidentes do seu passeio em redor das grandes catedrais francesas; nesta obra o gótico é obrigado a falar inglês e a revelar-se até aos americanos. Temos depois a ainda não devidamente apreciada História da Literatura Inglesa de Taine, um livro de tão sólido valor e de tanta beleza como o de Gibbon; nele, um francês explica aos ingleses a literatura inglesa. E finalmente ouviremos a masculamente melancólica música da Idade Média nos majestosos cantos gregorianos; Cecil Gray não é nisto o guia perfeito, mas é incisivo; e os que aceitam a música como a mais alta das filosofias, terão de afastar-se neste ponto da nossa lista e ler o quarto, quinto e sexto volumes da História da Música de Oxford. Vida sem música é um equívoco, disse Nietzsche.

  Mas a Idade Média desaparece e subitamente defronta-nos o Renascimento italiano. Wells dá-nos aqui umas poucas páginas insuficientes e nos remete aos sete alentados volumes de J. A. Symonds, que consumiram até ao último alento a sua vida de doente. (Se vos escasseia tempo para esta longa digressão, lede O Renascimento na Itália, de Burchchrdt.) Aqui novamente assistimos ao enxamear de gênios: em Florença penetramos no palácio dos Médicis, onde Pico de Mirandola acende velas diante do busto de Platão recém-descoberto, e um rapaz de nome Miguel Ângelo esculpe a figura dum fauno desdentado; em Roma pisamos o pavimento de mármore do Vaticano acompanhados de Júlio e Leão X, e vemo-los transformando a riqueza em poesia e arte. Vasari nos mostra o atelier de Boticcelli, de Brunelleschi, de Leonardo, de Rafael e de Ângelo; Faure põe em rapsódias esta florescência única de pintura, estatuária e ornamento; César Borgia posa diante de Machiavel para o retrato do príncipe ideal; Cellini de vez em quando abandona a adaga assassina para esculpir um vaso maravilhoso; Bruno e Vanini renovam os esforços do homem para compreender o mundo do ponto de vista da razão; Copérnico, Vesalius e Gilbert lançam as pedras fundamentais da ciência moderna; e nas asas da sua música Palestrina nos leva ao céu. A era é suprema.

  Mas, saído das severas frialdades do norte, Lutero não se deleita com a licenciosa arte da Itália cheia de luz; e com voz ouvida pelo mundo inteiro apelou para o retorno à antiga simplicidade ascética da Igreja. Os príncipes da Alemanha, utilizando-se da revolta luterana como instrumento político, destacaram seus reinos do Papado, estabeleceram uma série de países independentes e inauguraram o nacionalismo dinástico, que é o arcabouço da história européia desde a Reforma até a Revolução. A consciência nacional se substitui à consciência religiosa, o patriotismo ocupa o lugar da piedade, e cada povo europeu inicia um século de Renascimento próprio. É a idade da política romântica: Catarina de Médicis e Henrique VIII, Carlos V e o Filipe da Invencível Armada, Isabel e Essex, Maria Stuart com os seus amantes e Ivã, o Terrível. É a época dos gigantes da literatura: na França, Rabelais gargalha a todos os mandamentos e adjetivos, e Montaigne discute negócios, públicos ou não, nos mais profundos ensaios jamais escritos; na Espanha, Cervantes encontra forças para escrever o mais famoso dos romances, e Lope de Veja compõe 1800 peças; em Londres, o filho dum açougueiro produz os maiores dramas modernos, e toda a Inglaterra, como diria Splenger, está em forma. Esse tempo foi a primavera da alma moderna.

  Os sábios estão afeitos a proclamar que depois desta brilhante emancipação da Espanha, da Inglaterra e da França, a Europa sofreu um recuo e desceu do alto nível a que o Renascimento a levara. Num certo sentido é verdade: o século XVII foi uma era de conflito religioso, a idade da Guerra dos Trinta Anos, arruinadora da Alemanha, e da Revolução Puritana, por um século garroteadora da exuberância poética e artística dos ingleses. Mas ainda assim, que século! É o tempo dos Três Mosqueteiros: Richelieu e Mazarino fortalecem o governo central da França contra os barões feudais, e presenteiam Luís XIV com um Estado poderoso e uno — meio de proporcionar ensejo à floração da cultura dirigida por Voltaire. La Rochefoucauld dá forma ao cinismo da corte e do teatro; Molière mete a riso a hipocrisia e presunção do seu povo, e Pascal mistura, com apaixonada retórica, a matemática e a piedade. Bacon e Milton elevam a prosa inglesa a grande altura — e este último ainda compõe versos bem toleráveis. É uma era de poderosos sistemas filosóficos; Bacon, Hobbes e Locke, na Inglaterra, Descartes, Spinoza e Leibniz, no continente. Na ciência emerge Galileu, o astrônomo, Sir William Harvey, o fisiologista, Robert Boyle, o químico, Isaac Newton, o tudo. A pintura é um chuveiro de estrelas: na Holanda, Rembrandt e Franz Hals; na Flandres, Rubens e Van Dyck; na França, Poussin e Claude Lorrain; na Espanha, El Greco e Velásquez. E para a música veio Bach.

  João Sebastião Bach é um olímpico próximo de Zeus; não descansareis, pois enquanto não ouvirdes o majestoso ritmo de sua Missa em Si menor e a Paixão segundo Mateus. Com o velho organista de Arnstad, que tinha tempo de alternar a composição de obras-primas com a fatura de vinte filhos, a música atinge um dos seus picos culminantes: só o louco Beethoven pairou tão alto. O século XVIII está cheio de opulentas melodias: Haendel compõe oratórios e Haydn desenvolve a sonata e a sinfonia, Gluck cria um nobre acompanhamento para o sacrifício de Efigênia, e da sua tristeza Mozart arranca sonoridades que fazem todas as composições anteriores parecerem discordantes e caóticas. Se quereis conhecer a música absoluta, fechai por um momento o vosso rádio e tocai na vitrola o Andante do Quarteto em Ré maior de Mozart.

  Mas aqui estamos no século XVIII, que Clive Bell, na sua preciosa obra sobre a Civilização, põe ao lado do século de Péricles e do Renascimento como uma das três épocas supremas da história da cultura. Era de lutas bárbaras, de avanços na ciência, e de filosofia libertada; de exploração pelos barões, de maneiras e modas tão belas que fazem as nossas calças de canudos e as saias aprisionadas das pernas femininas parecerem coisa fúnebre ou de penitenciária. “Os que não conheceram o mundo anterior a 1789 não sabem o que é a felicidade de viver”, disse Talleyrand, “aquela lama em meias de seda”, como chamou Napoleão. Leia-se nos Retratos de Sainte-Beuve a vida dourada daqueles homens; vejam-se os quadros de Watteau e Fragonard, de Gainsborough e Reynolds; e depois tome-se uma poltrona de primeira fila em Taine e Carlyle para assistir ao drama do desmoronamento. Pense-se numa idade que podia produzir historiadores como Gibbon e Voltaire, filósofos como Hume e Kant, espíritos empreendedores como os obreiros da Enciclopédia, biógrafos como Boswell, homens como Jonson, Goldsmith, Gibbon, Burke, Barick e Reynolds; novelistas como Fielding e Sterne, jamais sobreexcedidos na Inglaterra; economistas como Adam Smith, cínicos como Swift, mulheres como Mary Wollstonecraft!

  E a Revolução vem e a aristocracia perece na guilhotina; arte e boas maneiras desaparecem, a verdade substitui a beleza, e a ciência refaz o mundo. Deixemos que Robinson nos conte da Revolução Industrial que tão rápida e profundamente transformou nossa vida, nossos governos, nossa moral, nossas religiões e filosofias; estamos diante dum dos pivôs sobre quem a história regira. Assim como o século XVIII foi a idade da mecânica e da física teóricas, dando origem ao triunfo da ação, assim o século XIX foi a idade da biologia teórica, dando origem ao triunfo ativo das ciências biológicas. Novos conceitos da natureza e do desenvolvimento do homem dominam o palco científico e precipitam a guerra entre as crenças que sombreou o espírito ocidental. Foi um século pobre em escultura, a despeito de Rodin, e cheio de duvidosas experiências na pintura, desde os crepúsculos de Turner até às chuvas de Whistler; mas na música sobreexcedeu a todas as outras épocas da história (e quem o esperaria numa era de máquinas?).

  Aqui temos Beethoven, passando, no fim do século, da simplicidade de Mozart, revelada em suas primeiras obras, da perfeição da Quinta Sinfonia e da sutil delicadeza da Sonata de Kreutzer, à louca exuberância das últimas sonatas, da Sinfonia Coral; aqui temos Schumann, infinito de melodia, deixando em sua água-furtada centenas de obras-primas inéditas; aqui temos Brahms, com seu aspecto de açougueiro, a compor como um anjo, a tecer harmonias mais profundas que as de Schumann, e, mão obstante, tão leal à memória do mestre que, amando com furor a sua viúva, protegeu-a durante quarenta anos sem coragem de pedir-lhe a mão. Que dinastia de sofredores — do moribundo Beethoven, sacudindo os punhos contra o fado, de Schubert bêbedo, de Schumann louco e de Chopin roído pela tuberculose e abandonado por George Sand, até Ricardo Wagner, o gênio charlatão que suportou indignidades durante meio século e depois fez os príncipes da Alemanha pagarem as contas de Bayreuth! Mais feliz foi Mendelsson, temperamento muito bondoso e simples para sofrer em excesso; e Liszt, que na taça da fama bebeu até à derradeira gota, passando uma vida ébria de glória; e Rossini, que preferia preparar um spaghetti a compor o Barbeiro de Sevilha; e o genial Verdi, pondo um realejo em cada teatro europeu. Mas quando entramos na Rússia, é a melancolia que ressoa novamente; o alquebrado Moussorgsky canta a morte, e Tschaikovsky, de coração espedaçado por uma Vênus do palco, põe termo à vida com um veneno (podemos estar seguros disto, visto como todos os historiadores respeitáveis o negam).

  Aparentemente a beleza nasceu no sofrimento e a sabedoria é filha da mágoa. Os filósofos do século XIX eram quase tão infelizes como os compositores; começam como Schopenhauer, o autor da enciclopédia da miséria humana, e terminam com Nietzsche, que amou a vida pelo que nela havia de trágico, mas enlouqueceu à idéia de viver novamente. Que doloroso quadro o da invalidez de Buckle, sem um momento de saúde, morto aos quarenta e dois anos sem completar a introdução à História da Civilização na Inglaterra! O único homem sadio em toda a lista dos gênios do século XVIII foi Goethe, que se distinguiu de Shelley pelo fato de ter vivido bastante. Lede as Conversações com Goethe de Eckermann e tereis uma semana a companhia dum espírito maduro. Lede a parte primeira do Fausto, mas não permiti que nenhum crítico de nome — nem mesmo o grande Brandes — vos induza a ler o resto — amontoado de caduquices de Edward Lear. Cérebro companheiro do de Goethe temos o do Corso, possante instrumento da imaginação, da energia e da vontade; deixai que Ludwig vos conte a sua história e depois lede as noventa fulgurantes páginas em que Taine lhe analisa o gênio nas Origens da França Contemporânea.

  Absorvei todas as palavras de Taine no capítulo sobre Byron, e lede depois a Peregrinação de Childe Harold, Cain e dois ou três cantos do Don Juan. Não vos esqueçais das Odes de Keats, pois são os mais belos poemas da língua inglesa. Verlaine e Musset escapam à nossa lista, já que tradução nenhuma pode captar-lhes a caprichosa melodia; e Heine é incluído a despeito da dificuldade de transpormos duma língua para outra a agudeza e a música dos seus versos. Tennyson entra com In Memorian e os Idílios do Rei — mas se eu tivesse coragem em seu lugar seria ocupado por Thomas Malory, cuja Morte de Artur é um majestoso monumento da prosa inglesa. De Balzac podereis ler muito; em toda a sua obra a vida fulgura intensa. Aos Miseráveis lereis salteadamente, mas nenhuma palavras perdereis de Salammbô e da Madame Bovary, de Flaubert. Podereis depois repastar-vos nos primores de Anatole France, que constituem a destilada essência da cultura e arte francesas; na nossa lista só incluímos a Ilha dos Pingüins, mas se tendes a gulodice da beleza e das sutilezas de linguagem, lereis vinte volumes de Anatole. Pickwick Papers e Feira das Vaidades (ou David Copperfield e Henry Esmond) deverão ser manuseados vagarosamente, com esquecimento da nossa malsinação do período vitoriano; antes da nossa época igualá-lo na literatura, não poderá apedrejá-lo. Da Inglaterra passareis à Escandinávia e Lereis Peer Gynt, o maior poema depois do Fausto. Saltareis à Rússia para conhecer a perfeição de Turgeniev, para errar sem pressa através da cordilheira de montanhas que é Guerra e Paz (1700 páginas apenas) e finalmente para render-vos a Dostoievski, o maior de todos os romancistas. Em sua obra tudo tem valor, mas se quereis mergulhar a fundo na alma humana não lereis apenas os Irmãos Karamazov, sim também Crime e CastigoO IdiotaO Processo. Depois disso, volta a América.

  Desdenharia o nosso rol algum dos heróis americanos? Tenhamos em vista a mocidade da América; só muito recentemente passamos do pioneirismo ao comercialismo e hoje estamos começando a entrar na arte; Whitman ainda é o nosso único gigante. Thoreau equivale a uma estação na vida plena — voz dessa febre de Retorno à Natureza que arde no sangue dos moços inquietos com um civilizamento muito rápido. Emerson me parece um tanto magro, hoje; há nele quase tão pouca substância como em Thoreau, mas os estudiosos de estilo devem dar-lhe uma semana. Edgard Poe também está subcotado — esse homem fantástico e melodioso, tramador de contos terríveis tão do agrado do nosso gosto pelo mistério e do nosso deleite pelas torturas imaginárias; gostamos de sofrer por procuração. Quando classificamos Poe de grande artista, apenas queremos dizer que sua biografia é interessante e seus sofrimentos nos atraem. É sempre mais fácil amar ao fraco do que ao forte; este não necessita do nosso amor — e instintivamente procuramos defeitos em sua irritante perfeição; cada estátua é um desafio.

  E desse modo chegaremos aos século XX, a era da eletricidade e do Gotterdammerung, a era da Grande Loucura e da Paz Louca, a era das mudanças intelectuais e morais mais rápidas da história. Deixai que Henry Adams vos revele o segredo do nosso tempo — a filosofia mecanística que constitui a base do nosso pessimismo não é a forçada conclusão da biologia; apesar de tudo, talvez os homens não sejam máquinas. Havelock Ellis, o maior estudioso moderno, parece-nos algo mais do que máquina; e quando lemos o Jean Christophe, o grande romance do século, apreendemos a sentir do artista em choque com o do cientista — senso de criação em vez do senso de desamparo. Spengler discorda de nós e admite a morte da civilização; a razão disto está em nossa paixão pelo poder e a guerra, que ele admira com o ímpeto dum intelectual que se julga nascido para a ação. Deixemos que Robinson e Wells (ou o professor Fay) nos revelem as origens da Primeira Guerra Mundial para que vejamos quão vis são em suas origens essas invejadas glórias, e quão repugnantes em seus resultados; e façamos que os nossos filhos também os leiam, para que aprendam como as guerras se fazem e como os homens podem em poucos anos retraçar quase todos os passos que, da selvageria à civilização, o gênero humano lentamente galgou em trinta séculos.

  Dolorosos livros são estes, mas chegados que somos ao fim da nossa lista, não nos faltará coragem para abordá-los sem o recurso à anestesia. E poderemos ainda admitir, a despeito de todo o nosso conhecimento, que a raça produtora dum Platão e dum Leonardo adquirirá um dia o bom senso necessário para controlar a onda demográfica, conservar os mares abertos a todos os povos, e todos os mercados francos ao capital e ao comércio; e assim, por meio de alguma organização internacional, suprimiremos a guerra. Coisas mais estranhas já se deram no decurso da história; quarenta vezes mais maravilhoso foi o incrível desenvolvimento do homem... Estamos apenas começando.

  Eis a nossa Odisséia de livros. É todo um mundo, contendo a excelência bem ponderada de cem gerações; mundo não tão belo e vivo como o da realidade — como a natureza e o homem, mas abundante de insuspeitada sabedoria e de inexplorada beleza. A vida vale mais que a literatura, a amizade suplanta a filosofia, e as crianças nos tocam a alma com música mais profunda que a de todas as sinfonias; mas ainda assim estes deleites vivos desmerecem o prazer secundário que em tais obras encontraremos. Quando a vida se torna amarga, ou os amigos fogem, ou nossos filhos nos abandonam a casa para a fundação de outro lar, resta-nos o consolo de sentar-nos a esta mesa com Shakespeare e Goethe, e rir-nos do mundo com Rabelais, e de contemplar a sua beleza de outono com Keats. Porque estes são amigos que nos dão unicamente o melhor, que nunca nos refogem e que sempre estão à nossa espera. Depois de freqüentá-los por algum tempo e de humildemente ouvi-los falar, curados estaremos de nossas enfermidades e conheceremos a paz que vem da compreensão.

O Caminho da Libertação

Os Cem Melhores Livros para uma Educação

Grupo I — Introdutório

  1. J. A. Thomsom, The Outline of Science (Linhas Gerais da Ciência), 4 v.

  2. Logan Clendening, The Human Body(O Corpo Humano).

  3. J. H. Kellog, The Dietetics (A Nova Dietética) pp. 1-531, 975-1011.

  4. William James, Principles of Psychology (Princípios de Psicologia), 2 v.

  5. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), (1) caps. 1-14.

  6. W. G. Sumner, Folk Ways (Criações Populares).

  7. Frazer, The Golden Bough.

Grupo II — Ásia e África

  1. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. I, caps. 2-7.

  2. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), caps. 15-21, 26.

  3. Brian Brown, The Wisdom of China (A Sabedoria da China).

  4. A Bíblia: Gênesis, Êxodo, Rute, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos de Salomão, Isaías, Amós, Os Evagelhos, Atos dos Apóstolos, Epístolas de São Paulo.

  5. Elie Faure, História da Arte, 4 v., Vol. I, caps. 1-3; vol. II, caps. 1-3.

  6. H. S. Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. I, caps. 2-4.

Grupo III — Grécia

  1. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. I, caps. 8-9.

  2. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), (1) caps. 22-25.

  3. J. B. Bury, História da Grécia, 2 v.

  4. Heródoto, Histórias.

  5. Tucídides, A Guerra do Peloponeso.

  6. Plutarco, Vida dos Homens Ilustres.

  7. Gilbert Murray, Literatura Grega.

  8. Homero, Ilíada.

  9. Homero, Odisséia.

  10. Ésquilo, Prometeu Encadeado.

  11. Sófocles, ÉdipoAntígona.

  12. Eurípides, tudo (trad. Gilbert Murray).

  13. Diógenes Laércio, Vidas dos Filósofos.

  14. Platão, Diálogos, Apologia de Sócrates, Fedo, A República.

  15. Aristóteles, Ética.

  16. Aristóteles, Plítica.

  17. H. S. Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. I, caps. 5-9.

  18. Elie Faure, História da Arte, 4 v., Vol. I, caps. 4-7.

Grupo IV — Roma

  1. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. I, caps. 27-30.

  2. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), caps. 27-29.

  3. Plutarco, vidas de Catão, Tibério e Caio, Mário, Sila, Pompeu, Cícero, César, Bruto, Antônio.

  4. Lucrécio, De Rerum Natura (A Natureza das Coisas). Algumas passagens são admiravelmente parafraseadas na obra de W. H. Mallock, Lucretius pm Life and Death.

  5. Virgílio, Eneida.

  6. Marco Aurélio, Meditações.

  7. H. S. Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. I, caps. 10-11.

  8. Elie Faure, História da Arte, 4 v., Vol. I, caps. 8.

  9. Gibbon, Declínio e Queda do Império Romano.

Grupo V — Cristianismo

  1. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 1-11.

  2. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), caps. 30-34.

  3. Omar Khayyam, Rubayat.

  4. Geo Moore, Heloísa e Abelardo.

  5. Dante, Divina Comédia.

  6. Taine, História da Literatura Inglesa.

  7. Chaucer, Canterbury Tales.

  8. H. Adams, Monte de S. Miguel e Chartres.

  9. H. S. Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. II, caps. 1-3

  10. G. Gray, História da Música.

Grupo VI — Renascimento Italiano

  1. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), caps. 35.

  2. Symonds, O Renascimento na Itália.

39 B. Cellini, Autobiografia.

  1. Vasari, Vida dos Pintores e Escultores.

  2. H. Hoffding, História da Filosofia Moderna.

  3. Machiavelli, O Príncipe.

  4. G. Gray, História da Música, caps, 6-8.

Grupo VII — Europa do Século XVI

  1. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 13 e 14.

  2. P. Smith, A Era da Reforma.

  3. Faguet, A Literatura da França.

  4. Rabelais, Gargântua e Pantagruel.

  5. Montaigne, Ensaios.

  6. Cervantes, Dom Quixote.

48; Shakespeare, peças.

  1. Taine, História da Literatura Inglesa, liv. II, caps. 1-4.

  2. G. Gray, História da Música,liv. II caps, 4-7.

  3. Elie Faure, História da Arte, 4 v., Vol. III, caps. 4-6.

  4. H. S. Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. II, caps. 4-8.

Grupo VIII — Europa do Século XVII

  1. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 15

  2. Faguet, A Literatura da França, parte relativa ao século XVII.

  3. La Rochefoucauld, Reflexões.

  4. Molière, peças.

  5. F. Bacon, Ensaios.

  6. Milton, Lycidas, L’Allegro, Il Penseroso, Sonetos, Aeropagíticae parte do Paraíso Perdido.

  7. H. S. Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. II, caps. 9-13.

  8. H. Hoffding, História da Filosofia Moderna, parte relativa a Bacon, Descartes, Hobbes, Locke, Spinoza e Leibniz.

  9. Hobbes, Leviathan.

  10. Spinoza, Ética e Melhoramento da Compreensão(De Intellectu Emendatione)

  11. Elie Faure, História da Arte, 4 v., Vol. IV, caps. 1-4.

  12. G. Gray, História da Música,caps, 9-10.

Grupo IX — Europa do Século XVIII

  1. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 16-21.

  2. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), caps. 26-7.

  3. Sainte-Beuve, Retratos do século XVIII.

  4. Voltaire, obras.

  5. Rousseau, Confissões.

  6. Taine, Origens da França Contemporânea, vols. I-IV.

  7. Carlyle, A Revolução Francesa.

  8. Taine, História da Literatura Inglesa, liv. III, caps. 4-7.

  9. Boswell, Vida de Samuel Johnson.

  10. Fielding, Tom Jones.

  11. Sterne, Tristam Shanay.

  12. Swift, Viagens de Gulliver.

  13. Hume. Tratado sobre a Natureza Humana.

  14. MaryWollstonecraft, Reivindicação dos Direitos da Mulher.

  15. Adam Smith, A Riqueza das Nações.

  16. H. S. Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. II, caps. 14-15.

  17. H. Hoffding, História da Filosofia Moderna, parte relativa ao século XVIII.

  18. Elie Faure, História da Arte, 4 v., Vol. IV, caps. 5-6.

  19. G. Gray, História da Música,caps, 11-12.

Grupo X — Europa do Século XIX

  1. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 22-28.

  2. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), caps. 3-9.

  3. Taine, Origens da França Contemporânea, vols. V.

  4. E. Ludwig, Napoleão.

  5. G. Brandes, Principais Correntes da Literatura do século XIX, 6 vols.

  6. Goethe, Fausto.

  7. Eckermann, Conversações com Goethe.

  8. Heine, Poemas.

  9. Taine, História da Literatura Inglesa, liv. IV e V.

  10. Keats, Poemas.

  11. Shelley, Poemas.

  12. Faguet, A Literatura da França, parte relativa ao século XIX.

  13. Balzac, Père Goriot.

  14. Flaubert, obras.

  15. V. Hugo, Os Miseráveis.

  16. Anatole France, Ilha dos Pingüins.

  17. Tennyson, Poemas.

  18. Dickens, Pickwick Papers.

  19. Thackeray, Feira das Vaidades.

  20. Turgueniev, Pais e Filhos.

  21. Dostoievski, Irmãos Karamazov.

  22. Tolstoi, Guerra e Paz.

  23. Ibsen, Peer Gynt.

  24. H. S. Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. III-IV.

  25. Darwin, A Descendência do Homem.

  26. H. Hoffding, História da Filosofia Moderna, parte relativa ao século XIX.

  27. Buckle, Introdução à História da Civilização na Inglaterra.

  28. Schopenhauer, obras.

  29. Elie Faure, História da Arte, 4 v., Vol. IV, caps. 7-8.

  30. G. Gray, História da Música,caps, 13-17.

Grupo XI — América

  1. C. Beard, The Rise of American Civilization.

  2. Poe, poemas e contos.

  3. Emerson, Ensaios.

  4. Thoreau, Walden.

  5. Whitman, Leaves of Grass.

  6. Lincln, Cartas e Discursos.

  7. Breasted e Robinson, The Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 29 e 30.

  8. H. G. Wells, The Outline of History(História Universal), caps. 40-41.

  9. R. Rolland, Jean Christophe.

  10. H. Ellis, Estudos de Psicologia Sexual.

  11. H. Adams, A Educação de Henry Adams.

  12. Berson, A Evolução Criadora.

  13. Spengler, O Declínio do Ocidente.

Os livros números 3, 5, 8, 10, 11, 16, 24, 29, 30, 31, 34, 46, 48, 51, 60, 63, 69, 72, 73, 74, 76, 90, 94, 97, 98 e 100, num total de 27 devem ser adquiridos. Total dos livros enumerados na lista, 151. Tempo necessário para a leitura, 4 anos, à razão de 7 horas por semana ou 10 horas por volume.

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