Como eu aprendi inglês - Aventura

Eu aprendi a falar inglês sozinho! Minha maior conquista e minha maior mentira! Nada se aprende sozinho, há sempre um professor nesse meio, mesmo que ele não esteja na mesma sala que você ao ensinar. A verdade é que tudo o que podemos aprender é por causa dos esforços conjuntos de toda a humanidade ao longo da história e aprender a falar um idioma não é diferente.


Ao aprender os básicos do inglês de meu pai enquanto muito pequeno, a base foi lançada para o meu aprendizado, enquanto recitava de cabeça one, two, three, four e cuspia no tapete de minha mãe tentando fazer o som de th. A soma disso com o inglês básico que recebemos na escola pública e (confesso) um talento natural para línguas, me fez capaz de erigir os quatro pilares do inglês (audição, fala, escrita e leitura) ao longo de meu desenvolvimento como pessoa. O que fez a maior diferença neste processo foi o consumo de entretenimento estrangeiro, feito muito acessível com a internet, que se popularizou durante minha juventude. É claro que minha personalidade introspectiva teve um grande papel nesse meio, pois sempre foi muito mais atraente para mim uma noite de games e filmes sozinho em casa do que sair com amigos como os outros jovens tanto gostavam. Ao longo desta série, lhes apresentarei meus professores de inglês – filmes, séries, músicas, livros, sites e videogames que expandiram meu vocabulário e meu conhecimento até eu mesmo me tornar um professor.

Parte 1 - A Aventura

Serei obrigado no futuro a dedicar alguns artigos ao meu professor preferido – Star Trek que por ora mencionaremos de passagem. Não havia videogames em português quando eu era criança. Havia também uma imensa espera para que os seriados chegassem legendados ou dublados ao Brasil, boa parte destes não chegava! A internet que de uma forma ou de outra nos dava acesso a muita coisa basicamente estava em inglês (até hoje, mas de 50% da internet está em inglês). Ao jogar videogame, precisávamos fazer o máximo para compreender a história na língua original do jogo e se íamos atrás de informação na internet, raramente encontrávamos em português e quando encontrávamos, esta estava incompleta ou incorreta. Até hoje me lembro do esforço que fazia para compreender o discurso do Dr. Neo Cortex a Crash Bandicoot no meu Playstation: “Well, well, well, if it ins’t Crash Bandicoot!”.


Além disso, sempre fui fissurado por Star Trek: The Next Generation e nas aventuras de meu pai nos sebos de São Paulo, nos deparamos com três fitas VHS de episódios de Star Trek que não haviam saído no Brazil. As fitas em si haviam vindo de fora do país, não havia nem dublagem, nem legenda. Mas era Star Trek! Meu amor pela série era maior do que a barreira lingüística! Eu assisti à fita, entendi 30% de tudo, mas no final, meus olhos brilhavam! Eu assisti um episódio que pouquíssimo no meu país haviam visto! E eu não precisava mais de legendas! Um universo se abriu diante de mim e não mais deixei que a língua me impedisse de compreender alguma coisa. É verdade que demorou alguns anos para que a minha compreensão fosse realmente correta e independente, mas o fato de eu me dar ao luxo de me aventurar no inglês causou com que eu eventualmente atingisse um nível proficiência que jamais viria de outra fonte.


Paralelamente a este processo, sempre gostei muito de música! Sempre gostei de cantar e comecei em minha juventude a aprender a tocar violão. Imitando o jeito de falar dos cantores desenvolvi meu sotaque, a pesar de misturar um pouco do americano com o britânico. Nem sempre eu sabia do que a música se tratava, mas me aventurava em cantar e fazia o melhor que podia. Ao longo dos anos, tudo começou a fazer sentido e a pronúncia que a música exigia me fez criar um repertório de coloquialismos e reduções que eu podia entender dentro de um diálogo que ouvia ou assistia.


A companhia de pessoas também dispostas a se aventurar no uso da língua me ajudou tremendamente. Meus primos tiveram uma experiência parecida com a minha e o contato com eles me fez desenvolver a fala de ainda outra forma, pois havia também com quem conversar. Durante o início de minha vida adulta, fiz amizade no trabalho com um rapaz que havia sido professor de inglês. Tão debochado quanto eu, falávamos em inglês para que ninguém pudesse entender nossas piadas, o que permitiu que colocasse todo meu arsenal de frases e expressões coletadas dos games, séries e músicas em bom uso.

Essa foi basicamente minha trajetória no aprendizado do inglês. Dos detalhes falaremos ao longo dos próximos capítulos, mas a palavra chave para meu desenvolvimento foi Aventura. Eu me arrisquei em falar, insistir em ouvir e não me preocupei em errar e isso me trouxe até aqui. Talvez possa também levá-lo aonde deseja chegar.

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